domingo, 7 de fevereiro de 2016

No hay banda...




Apesar de tudo... foi quase nada, né? Apesar de tudo não houve muito e nem se ouve muito falar. É verdade. Apesar dos apesares... a pesarem... as paredes da minha casa continuam amarelas, como sempre. Intocadas ainda pelos seus olhos, como sempre. Ausentes do teu cheiro.

Ausentes desta vez porém das memórias que me aludiam quando distraidamente fixava nelas meu olhar vago envolto num sorriso teu... distante.

E o tempo... o tempo me fascina. O tempo, na verdade, é um facínora. Ausente de memória, ausente de justiça. Um moinho de cartola. Um aperto de mão cheio de carbono. O tempo está sempre na hora errada, no lugar errado. Sempre atrasado... ou, nesse caso, adiantado demais.

Você sabia... se pudéssemos entrar numa nave que viajasse à velocidade da luz, o tempo pararia para quem estivesse dentro da nave. Porque o tempo passa mais devagar para as coisas que são mais rápidas. O tempo passa mais devagar pras coisas mais rápidas.

Entrei na nave, mas ainda não posso sair. E é hora de mudar a cor das paredes. Sem alarmes. Sem surpresas. Apenas... Silêncio.

No hay banda, no hay orquestra.


No hay banda... No hay orquestra.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Convicto



Convicto.

Meu rosto está duro como uma máscara. Há horas tento regurgitar as informações empurradas na minha garganta. Elas são enormes e aberrantes. Existe uma barreira cinza, intransponível, tampando o sol das informações puras. À sombra, cato os objetos lançados por algo muito mais forte que qualquer coisa do outro lado do muro. Enquanto isso, especulamos sobre o ela é.
Finalmente percebo que tudo mora dentro de mim. Minha consciência está absorta e fervente. Tudo é laranja e cinza. O por do sol se encaixa com o horizonte infinito. Meu abraço é virtual. Meu reflexo não sou eu.
O relógio tem duras engrenagens e meus olhos absolvem sua contagem Estou preso, enclausurado, dentro de várias camadas de coisa indecifráveis. Minha consciência me prende, bem como estou dentro da bolha do espaço-tempo. Caminhar é quase um exercício de coma, quando percebo isso. Dormir e sonhar tem a mesma equivalência que correr na praia.
Números, métodos, movimento, cores, tato. O relógio continua correndo e as bocas falam, gritam, esbravejam. Estamos correndo, mas não temos destino. Ébrios de pudores e desnorteados de morais. Sem convicções plenas. Apenas ideias de papelão e cola.
O que houve, afinal? O tempo parou. O espaço se rasgou em mil farrapos. Pude ver. Saí da caverna pra entrar em outra caverna, Platão? Tudo explode e regurgita. Afinal de contas, o universo é metalingüístico. Forjasse em si mesmo para enganar-se. Estou preso dentro da liberdade eterna. Eu sou Deus.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O loop




Não é como se houvesse algum sentido. Tudo estava se materializando, quase lucidamente, palpável como nuvens densas... mas a gente sabe. Veio a tímida voz da melancolia me falar ao pé do ouvido. Ela precisa se alimentar, me contou. Ela precisa da minha atenção. E o que eu pensei que tinha superado ressurge tão forte como antes. Por mais que eu tente fugir, me falta fôlego pra continuar. Quero esbravejar, mas não tenho ânimo pra levantar os braços.
Os olhos sobre mim. Não consigo disfarçar por muito tempo.
O desejo volta. Aquele de sempre. O desejo de copiar as nuvens. Evanescer com a brisa ou cair em milhares de pedaços sobre o chão. E escoar até sentir o céu sobre mim de novo.
Eu não tenho muito mais a dizer. Todas as cores estão tornando-se mais e mais parecidas umas com as outras. Minhas mãos não são capazes de agarrar muita coisa. Tudo está ruindo novamente?

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O sopro







    O fato de haver tristeza dispensa comentários. Os dedos são criaturas que se movem sem minha ajuda ou comando. Meu embotado senso crítico se afoga nas minhas desilusões sobre a existência cada vez mais insólitas. É inefável o que eu preciso dizer, ainda que seja necessário. Tudo corre perfeitamente bem, mas eu sinto a respiração do algoz do meu conforto na minha nuca. Eu me sinto diferente, mas não diferenciado. O que fazer se esse peso não sai das minhas costas?
E outra vez estou eu, aqui sentado em frente à tela, caminhando num corredor escuro e infindo, esperando encontrar o caminho de volta pra minha identidade perdida. Mas que perda poderia ser justificada? E que valor seria digno de ser resgatado?
Traduzindo à linguagem inteligível e humanóide, eu não tenho medo do futuro. Eu tenho medo de mim e do que eu me tornei.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Essencial







Normalmente quando eu me deparo com situações tristes, eu estagno. A massiva liberação de sentimentos confusos e pensamentos tortos não me deixam reagir da forma que eu gostaria, e no fim, o que resta é a frustração escorrendo pelos meus dedos. Sim, estou triste. Do contrário não estaria escrevendo coisas tão estupidamente reais. E tudo foi muito depressa dessa vez. Apesar de eu saber que o tempo de bonança logo acabaria para dar lugar às comuns tempestades de miséria, dessa vez foi especial. Quando se espera muito por uma coisa, ela acaba se tornando um titã das expectativas. Um mar em fúria me toma as entranhas. Eu não sei e nem quero saber o que o futuro me reserva. Esse momento, esse cheiro de tristeza, quero aproveitar cada segundo, cada gota de decepção. Esse é o melhor ofício desse ser que vos escreve, sofrer. Eu sinto que as pessoas percebem minha tristeza por trás dessa crosta de sorrisos, mas ainda as vejo pasmas ao conhecer meu interior. Eu não deveria ser triste, mas algo me diz que eu nasci designado à melancolia, à bílis negra do movimento pós-moderno. A dor é a única e verdadeira amiga a quem dei toda a minha confiança. Deixe-me escorrer, velha amiga. Deixe-me senti-la, sentir teu frio afago, teu sofrido beijo. Abrace-me como se um de nós nunca pudesse voltar.
Voltei, amigos. Voltei a ser a essência da miséria que nunca deveria ter deixado de ser. Meu hábito desmantelou-se mais uma vez.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sob o fio algoz da melancolia




Caiu o véu de meu rosto. Olhem, deleitem-se diante de minha desgraçada obsessão por mim mesmo. Esparramei-me numa inculta compilação de vidas e tornei-me vazio. Que serei eu, buscando tanta profundidade? Um buraco imenso? Uma cova?
Sou, por assim dizer, a cova de minha existência. Sou a morte ambulante, um morto-vivo consciente, um fardo de mim. Observo o espelho, encarando a face branca e magra. Sou casca, mas casca de coisa alguma. Sou repleto desse sangue quente, mas nada mais há de quente em existência tão medíocre. De tanto provocar amores, acabo incapaz de sentir tal sabor. Como será amar? Saberei sem saber? Sabe lá.
O incrível é que enquanto escrevo, sob uma melancólica trilha sonora que toca em minha mente, não tenho a mínima idéia do que fora escrito antes. As palavras têm saído como os pingos de uma torneira mal fechada, ou como as lágrimas de uma mãe inconsolável arrumando o quarto de um filho que morreu. Lastimo a minha presença, como lastimo não poder esvaí-la. Olhando o céu, nesse fim de tarde, percebo mais uma vez as leves nuvens caminhando sob o vento.
A carícia morna e suave das palavras já me conforta um pouco da bucólica aparência da vida. O mundo continua acelerado e feroz, sem ideologias, mas com crenças e ganâncias enraizadas; rodando como a mecânica laranja de outrora; um cérebro cibernético interligado e revolto. E eu, buraco imenso, engulo os que me cercam, que logo fogem novamente. Não sou tão profundo quanto eu gostaria, nem tão imenso, nem tão morto, nem tão vivo, nem tão triste, nem tão ambulante, nem ao menos morno, nem poeta, nem nada. Sou um inadaptável ser que não queria ser, mas persiste sendo pelo inevitável afeto que o amarrou a outros seres. Sou o ciclo infinito da incerteza revoltada. A mais pura palavra profanada em outros contextos. Sou, enfim, o que não deveria ser.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mundo Acelerado:
A infância é um sopro





Parece que a era do aceleramento global não atingiu apenas a parcela mais madura da sociedade. As crianças vêm sendo bombardeadas pelo efeito tanto da digitalização do mundo quanto do próprio aceleramento social que isso nos proporciona.
Observa-se uma aparente mudança no comportamento infantil de alguns anos para cá. Um forte exemplo disso é a digitalização das brincadeiras: as crianças substituem as tradicionais formas de divertimento por um sedentário estilo de vida onde há, é verdade, uma maior facilidade e integração de interesses numa única máquina – o computador. Não é mais como antigamente. A molecada saia na rua se divertindo em grupo com atividades dinâmicas das mais diversas.
Além disso, há um falso amadurecimento precoce o qual a maioria dos pais adota como positivo, quando na verdade a criança está perdendo sua identidade e substituindo-a por uma representação de maturidade engolindo, assim, uma importante etapa da vida, talvez a mais bela, que seria aproveitar a infância de forma natural.
Somando tudo isso, o saldo que temos é uma criança metralhada por informações que tem sua inocência maculada e sua essência ferida, apagando, dessa forma, características tão belas e peculiares comuns somente á ela. Vive-se em um mundo tão veloz que as coisas mais importantes da vida têm sido esquecidas por não se tratarem de prazeres instantâneos. A solução seria reeducar as crianças de forma que as etapas da vida lhes viessem com naturalidade e não empurrada goela abaixo, como é observado atualmente

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um mergulho na inconsciência








Ah! O doce cheiro do inverno já corre pela casa, e as formigas, espertas tanto quanto o seu instinto lhes permite ser, se reúnem em seus complexos e frágeis esconderijos abaixo da terra ou dentro das paredes. Posso escutar o tintilhar dos vinhos fórmicos, ou vinagres ácidos, burburinhos minúsculos, gargalhadinhas agudas, como nos desenhos da Disney.
Porém, toda a personificação desses ínfimos seres é apenas uma tentativa frustrada de posicionar o homem longe desse posto tão solitário o qual ele ocupa: A única criatura que procura razão em sua existência. O homem, para deixar de ser homem, deve antes deixar de ser um paradoxo natural.
Imaginem o verme. Que existência mais medíocre. Um parasita que vive sob a escuridão dos intestinos, quando não, atolado em fezes ou sendo digerido por sucos gástricos. Será que, tendo alguma consciência o pobre verme, procuraria encaixar as peças dos porquês de sua realidade?
Na verdade, a vida ou a realidade, ou mesmo a existência, não fazem sentido algum. Nós é que tentamos impor alguma adequação lógica em tudo que é de nosso conhecimento, quando não são todas as coisas que fazem ou necessitam fazer sentido. Somente existem. É a infinita batalha que travamos contra os paradigmas da razão e, infelizmente, sempre somos derrotados.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Um desses imberbes quases





Sinto o ardor de mais um dia que passou no esmo das coisas simples; e eu, navegando no mar das minhas incertezas, sob tempestuosas ondas, ainda assim, em deriva.
Ando jogando pôquer com o espelho, e nunca vi rosto mais frio que o do meu adversário. Outra vez empatamos. Sinto uma estranha força desesperada querendo de mim levar todo o tato e consciência que me resta. Ainda que minha convicção permaneça sob coisas estáticas, sinto a alegria viajar para cada vez mais longe.
O rosto ainda imberbe do meu caráter me encara no invisível da obsessão de mim por eu mesmo que persiste, numa batalha entre o egocentrismo instintivo e o auto-abandono.
Outra vez empatamos. Percebo os meus pés gelados pela culpa de nada e as mãos inquietas pelas más decisões tomadas em algo nenhum. Será confuso entender o infinito ciclo paradoxal de minha existência? Sou o mais incomum entre os comuns. Uma vela quase acesa; uma ladeira quase plana onde quase rolam rochas quaisquer. Sou o imberbe quase como o que me encara no espelho, invisível.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ressoa, mais uma vez, o profundo silêncio





          O papel foi violado pela caneta. A angústia pousada sob a tinta chora no branco da folha. A concepção de felicidade já não é a mesma. O fim do mundo é o mundo, afinal. Eu, de frente para mim, avaliando os movimentos, palavras e sopros de tal criatura ineficaz. a vda me deu ferramentas e o mundo inabilidade para usá-las. as letras caem de mim como as lágrimas que não sei fazer. E quem pode ter fardo maior que a profundidade do silêncio ressoando um enorme sino na sua cabeça? Sem motivos para monumental melancolia, ainda assim o mais infeliz andante sobre esse pequeno pedaço de chão.
          Queria eu poder afundar junto dos lixos inanimados e deveras mal-queridos, como eu, que vivem se degradando. Não por falta de amor alheio, mas por não sabê-lo receber.
           "Menos vale um louco vivo que um poeta morto". talvez seja minha vingança contra eu mesmo, que, por tanto amargurei a vida, acabei resumido ás amarguras.
          Deixo notado: Felizes são as nuvens. Viajam livremente ao soprar do vento, observando tudo do alto. Modificam-se, moldam-se com a facilidade e a leveza que as trás e as leva. E, por fim, chorando suas melancolias, somem sem deixar lembrança ou saudade; culpas ou desculpas; somente somem... somente deixam de existir.